segunda-feira, maio 05, 2003
Hino ao humaníssimo comodismo técnico
A água caía violentamente, torrente, jorro frio.
Assim sacudido, o metal oferecia-se à escorrência.
De todos os lados, jactos saíam em fúria.
Deslocação de ar líquido em "geiser"
emergindo das entranhas da máquina.
A humana criatura, vacilante,
Temendo a desconjunção
que o metal ao extremo oferece,
agita-se em tremuras:
"E se alguma coisa falha,
se a técnica tem avaria?... ".
Pouco depois, a paragem,
suavizado o ruído da fúria, da tão sólida engrenagem.
Elementos já calmos, dão a visão nítida: rebrilhante!
Conduzindo devagar, ela sai dentro do carro
para fora da lavagem automática.
Suspira: "Obrigada, Adamastor,
por seres tão previsível:
um ínfimo botão vermelho,
e a borrasca cessa...
O Silêncio é quem manda
e eu, faço o silêncio calar-se
se a técnica o permitir à humaníssima arrogância..."
enviado por Anónimo |
6:56 da tarde
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